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Chega de dívidas! Recuperação financeira pessoal passo a passo

Ana (nome fictício), uma dona-de-casa de 55 anos, sem filhos, foi casada por mais de 30 anos com um empresário. Neste período, ela nunca se envolveu em questões financeiras, muito menos empresariais, ocupando-se, exclusivamente, com a administração do lar.

Em junho de 2006 Ana ficou viúva e, desde então, uma série de problemas financeiros surgiram em sua vida: desde a drástica queda da renda mensal (hoje resumida a uma aposentadoria estatal de 2 salários mínimos) até a perda de bens devido a execução de dívidas trabalhistas e hipotecas assumidas por seu marido, cujo saldo devedor é de R$12.000,00. Atualmente, seu patrimônio é o seguinte:

Relação Patrimonial:

  • imóvel para moradia R$230.000,00
  • apartamento na praia R$80.000,00
  • chácara R$100.000,00
  • carro R$40.000,00
  • caderneta de poupança R$30.000,00
  • Total: R$480.000,00

Renda Mensal Média: R$830,00
Despesa Mensal Média: R$4.500,00
Déficit Mensal: (R$3.670,00)
Dívidas Correntes: R$12.000,00

1) O que fazer diante dessa situação?

Ana decidiu buscar ajuda especializada antes que a situação ficasse insustentável.

DIAGNÓSTICO FINANCEIRO

1º Passo: Inventário de Receitas e Despesas

A análise das Receitas e Despesas revelou que os dois salários mínimos de renda mensal e o pequeno rendimento da Caderneta de Poupança eram insuficientes para suportar a todos os custos fixos mensais, ou seja: desde gastos com moradia, alimentação, automóvel, saúde, vestuário, lazer, ajudantes, manutenção das propriedades, custos com pessoal, etc, até parcelas da dívida existente.

2º Passo: Análise da Alocação Ativa

Os bens e direitos disponíveis foram analisados do ponto de vista gerencial. No caso de Ana o patrimônio existente (excetuando-se a Cederneta de Poupança) era, essencialmente, "passivo", uma vez que os seus bens eram incapazes de gerar receita adicional. Isso permitiu concluir que Ana vivia no “ciclo de custos” quando o ideal seria viver no “ciclo de renda”.

3º Passo: Apuração dos Indicadores Financeiros Pessoais

O estudo apurou que Ana tinha baixíssima liquidez pessoal (IL = 2,5); seu índice de cobertura era extremamente baixo (IC = 0,56); seu endividamento efetivo muito elevado (IEF = 40,00%) e seu índice de poupança é nulo (IP = 0,00%).

4º Passo: Estudo de Perfil

Uma das etapas mais importantes do Diagnóstico Financeiro é o estudo de perfil. Através dele é possível identificar a tolerância do indivíduo ao risco financeiro, sua capacidade administrativa e seus objetivos de curto, médio e longo prazo. O Estudo de Perfil revelou que Ana era uma dona de casa passiva-analítica (perfil comum aos indivíduos com grande capacidade administrativa). Ana mencionou que adorava lidar com plantas, flores e arranjos, especialmente de orquídeas.

5º Passo: Estratégia

Consite num conjunto de medidas que precisam ser adotadas com base nas conclusões dos passos anteriores.

5.1 – Aumento da Liquidez Pessoal

A característica predominante do patrimônio de Ana era passiva. A maior parte dos bens disponíveis eram imóveis de baixa liquidez (apartamento na praia e uma chácara). Ana utiliza para moradia o seu bem de maior valor. Esse conjunto de situações desfavoráveis, em parte, explicava as causas dos problemas financeiros, bem como a direção a ser tomada. ANA estava "comprada” em imóveis e, com isso, seu capital estava indisponível. Era preciso trocar seus imóveis para aumentar sua liquidez pessoal e tirar Ana do clico de custos. Com isso ela logo poderia quitar sua dívida sem comprometer suas reservas.

5.2 – Realocação Ativa

A única aplicação financeira disponível era uma pequena reserva em Caderneta de Poupança. Regra geral, uma carteira de investimentos adequada requer diversificação de produtos conforme o perfil do investidor. Sendo assim, além de imóveis, Ana poderia aplicar seu dinheiro em fundos, títulos, seguros e Previdência. O perfil passivo-analítico da disciplinada dona-de casa indicava alta capacidade de gestão, daí a indicação para abrir um pequeno negócio tanto para aumentar a sua renda como para elevar a sua autoestima.

5.3 – Implantação da Estratégia

5.3.1 Compra e Venda de Imóveis
Com a venda dos seus imóveis Ana obteve cerca de R$410.000,00 líquidos. Levando-se em conta a idade, o perfil e a baixa renda mensal (cujo déficit era crescente), a opção mais rápida e viável foi formar uma carteira de locação, bem como comprar um imóvel para moradia de menor valor. Essa decisão ajudou a diminuir drasticamente o custo fixo mensal de e lhe proporcionou renda adicional. O dinheiro foi investido da seguinte forma:

  • Compra de 02 Salas Comerciais para locação: R$130.000,00 - receita mensal de R$1.000,00
  • Compra de 01 Loja e Ponto para locação: R$80.000,00 - receita mensal de R$1.000,00
  • Compra de 01 apartamento para moradia: R$140.000,00.

Obs: O veículo foi mantido.

5.3.2 Negócios Próprios
Com o valor restante Ana abriu sua pequena floricultura especializada em arranjos e orquídeas e passou a retirar um ótimo pró-labore mensal.

  • Compra de uma floricultura: R$60.000,00 - receita mensal média de R$4.000,00

5.3.3 Reservas e Aplicações Financeiras
A aplicação na Caderneta de Poupança foi redimensionada. Apenas uma reserva para emergências equivalente a 6 vezes o seu novo custo fixo (inferior a R$3.000,00 mensais) foi mantida.

  • Custo Fixo Mensal Ajustado: R$3.000,00 x 06 meses = R$18.000,00
  • Outras Disponibilidades: R$12.000,00 (aplicações diversas)

O restante do dinheiro - acrescido dos aluguéis, juros de aplicações, pró-labore e aposentadoria - Ana passou a investir em Renda Fixa, Seguros e Previdência (VGBL).

5.3.4 Investimentos 
Assim que conseguiu diminuir seu custo fixo e aumentar suas receitas Ana quitou sua dívida. Nos meses seguintes as economias foram direcionadas para novos investimentos.

  • Economia Média Mensal: R$6.830,00 – R$3.000,00 = R$3.830,00
  • Economia Média Mensal Anualizada: R$45.960,00
  • Pagamento de Dívidas e Obrigações: R$12.000,00
  • Saldo Anual (Capital Disponível para Investir): R$33.960,00

Obs: Neste exemplo os juros e a inflação foram desconsiderados.

Com coragem e disposição Ana conseguiu superar todas as suas dificuldades financeiras e, em pouco tempo, passou a viver a vida com tudo que tinha direito.

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