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Vale a pena empreender no Brasil? Uma reflexão sobre empreendedorismo no cenário atual

Vale a pena empreender no Brasil?

Essa é uma pergunta cada vez mais frequente, ainda mais em tempos de desemprego onde esta opção deixa de ser uma questão de vocação e passa a ser um meio de sobrevivência.

A dúvida aumenta toda vez que os prós e contras são considerados, sendo que a concorrência, a dificuldade de acesso ao crédito e os riscos trabalhistas estão entre os principais fatores de desistência.

Os desafios daqueles que mesmo diante de tantas dificuldades decidem empreender são inúmeros. Além da burocracia, muitas vezes é preciso enfrentar o preconceito de uma parcela da população assalariada que ainda reluta em enxergar o empreendedor como um agente transformador, aliás, entendimento que parece ser o mesmo da Justiça do Trabalho.

O Estado, por sua vez - ao invés de incentivar o empreendedorismo - cria obstáculos (ainda que sempre que uma vaga formal é criada não hesite em dizer que a oportunidade é fruto de um dos seus 'maravilhosos' programas de geração de renda e trabalho. Irônico, não? O pior é que muitos acreditam).

Que fique claro o seguinte: o Estado não cria empregos. Quem cria empregos é a iniciativa privada!

O problema se agrava quando - ao invés de facilitar, ou seja, dar crédito, reduzir impostos, desburocratizar as relações de trabalho, etc - o Estado se intromete e, por óbvio, põe tudo a perder. Exemplos disso são a dificuldade para se conseguir um financiamento público para uma pequena empresa e a complexidade para contratar um funcionário - aspectos que desestimulam a geração de empregos e inibem iniciativas - sem falar no custo indireto para o país.

Essa política retrógrada sustentada por umas das cargas tributárias mais altas do mundo é um tiro no pé e só pode ter sido criada por pessoas que jamais criaram um emprego sequer. Muito pelo contrário! Quem defende a geração irrestrita de custos travestida de "direitos do trabalhador" certamente nunca precisou demitir um pai de família ou fechar as portas de um pequeno negócio de onde se tirava o próprio sustento. 

A razão é muito simples: assistencialismo com o chapéu alheio dá votos. O que ninguém parece entender é que esse custo é repassado para toda a sociedade. Resultado: desemprego e recessão.

Enquanto os que se dizem defensores dos fracos e oprimidos 'lutam' por mais direitos do alto dos seus luxuosos gabinetes, resta ao empresariado pagar a conta e ter cada vez mais deveres. É a verdadeira contramão do desenvolvimento, sem falar na desigualdade quando se compara o ambiente comercial no Brasil com o de países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, lugares onde a objetividade e a livre negociação são as regras do jogo. Não por acaso estas nações são potências econômicas mundiais e estão entre os melhores locais do planeta para se viver.

Paridade Salarial

O interessante disso tudo é que a mesma lógica parece não valer para as vagas do serviço público. Por lá, pelo jeito, o dinheiro dos impostos dos 'malvados empreendedores' não é tão ruim assim, ou como seriam pagos os supersalários e as gordas aposentadorias?

Atualmente, o salário de um servidor público federal acrescido dos benefícios equivale, em média, a três vezes ao de um profissional da iniciativa privada que desempenha a mesma função, ainda assim, há quem defenda a criação de mais direitos e de mais concursos. Até quando? Será que algum dia alguém irá gritar em favor dos empreendedores? Talvez não, pois por aqui a prosperidade incomoda, lucrar honestamente é 'feio' e enriquecer causa uma inveja danada.

Com todo respeito aos bons servidores, mas o descontentamento com os serviços prestados pelo Estado é uma unanimidade o que, no mínimo, pede uma reflexão sobre até que ponto a estabilidade funcional e a falta de concorrência contribuem para a qualidade do trabalho.

Diante do caos financeiro pelo qual passam alguns estados é  de se esperar que alguma coisa mude, afinal, muitos servidores (ativos e aposentados) já estão com os seus salários atrasados, uma prova concreta de que o sistema paternalista naufragou. Certamente não era isso que imaginavam em termos de segurança e estabilidade profissional.

Muito para quem paga e pouco para quem ganha

É preciso que um dos pilares da Reforma Trabalhista seja a inclusão do critério de capacidade de pagamento do empregador. Deste modo, os encargos acompanhariam as faixas de tributação sobre o faturamento das empresas, tornando a competição mais justa e equilibrada, dentro de limites pré-negociados. Num país com tanta desigualdade é inadmissível que não haja distinção entre a realidade financeira de uma multinacional e a de um MEI (micro empreendedor individual).

Hoje, um trabalhador que recebe um salário líquido de R$1.000,00 custa em torno de R$2.300,00 para o empregador se forem considerados todos os benefícios, encargos, provisões rescisórias, etc, sem contar o passivo trabalhista. Essa situação precisa mudar urgentemente.

A retomada do crescimento depende da iniciativa privada

Por mais dificuldades que possam existir empreender será sempre um dos desafios mais edificantes da vida profissional. Só quem vive ou já viveu esta experiência sabe o que estou dizendo.

O Homem é um empreendedor nato, só por isso chegamos onde estamos. Então, não será um sistema falido, corrupto e decadente que irá mudar o nosso destino.

O empresariado brasileiro tem tudo para ser o protagonista da retomada do crescimento. Para isso, é fundamental que as "laranjas podres" continuem sendo cassadas e os maus dirigentes punidos exemplarmente dando lugar àqueles que sempre competiram de forma ética e transparente, longe de interesses pessoais e políticos. Fica a nossa dica: os acordos de leniência devem ser exceção e não a regra, ou ficará a impressão que o "crime compensa" por aqui.

Sempre é possível recomeçar

Infelizmente nem todos resistem à tantas dificuldades. Chega uma hora que mesmo os mais otimistas se cansam de lutar e, então, decidem deixar seus projetos de lado. Quem tem família e vê as coisas faltando em casa não tem tempo a perder. Saber a hora de parar também é uma demonstração de coragem e dignidade. A parte boa é saber que sempre é possível recomeçar, afinal, o Brasil precisa ser refeito.

Mãos à obra!

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