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Vale a pena comprar carro-zero?

Não resta dúvida que ter um carro novo, moderno e seguro pode trazer muito conforto e satisfação, porém, do ponto de vista financeiro, o tempo em que comprar um veículo de passeio zero-quilômetro era um bom investimento passou faz anos.

Talvez por isso muitos clientes costumam nos dizer que se pudessem voltar atrás em relação à compra de um carro-zero não pensariam duas vezes e desfariam o negócio. É fácil de entender o porquê.

Juro-zero?

Tudo bem que o cheirinho de carro novo é sensacional, mas...

O prejuízo fica maior quando caímos na conversa do 'juro-zero' e dos financiamentos de longo prazo e, além do carro, levamos para casa um carnê com intermináveis parcelas, sem contar que - basta tirá-lo da loja - para perdermos mais uns 20%.

O cenário da indústria nacional

Na década de 1970, por exemplo, muitas pessoas viviam do giro-financeiro das permutas de veículos, fosse por meio de cartas de crédito contempladas, consórcios ou vendas diretas, já que o mercado consumidor crescia num ritmo bem mais rápido do que a capacidade instalada da indústria automobilística nacional.

Até a primeira metade dos anos oitenta ainda era muito difícil encontrar um carro-zero à pronta entrega. Alguns modelos mais populares chegavam a ser vendidos sem determinadas peças e, mesmo assim, eram disputados com ágio superior a 40% sobre o preço original.

A situação começou a mudar na segunda metade da década de 1990. Com o início da estabilização econômica e com a reabertura do país às importações os brasileiros começaram a poder sonhar mais alto. Em pouco tempo circulavam pelas nossas ruas milhares de carros das mais diversas marcas e modelos e, então, o objeto de desejo de muitas pessoas começou a ficar mais próximo.

Pouco mais de vinte anos se passaram e a situação é completamente diferente. Hoje, os pátios estão superlotados. Sobram veículos para todos os gostos e bolsos. A briga das montadoras pelo consumidor parece não ter fim. Todos os dias somos 'bombardeados' por centenas de promoções e ofertas de veículos.

Temendo o pior e visando manter os empregos do setor o governo reduziu impostos (IPI) e disponibilizou novas linhas de financiamento. Aparentemente era isso que faltava para que muitos brasileiros, enfim, comprassem o seu primeiro carro zero.

Mas a que preço?

A combinação do crédito fácil e a possibilidade de contrair financiamentos 'a perder de vista' seduziu aqueles consumidores que sempre sonharam em ter um carro-novo e, ao mesmo tempo, nunca pararam para fazer contas. Parece que a única preocupação era saber se 'a parcela cabia no bolso', pouco importando se - ao final do financiamento - o valor pago seria suficiente para comprar três carros ao invés de apenas um. É como se as despesas com IPVA, licenciamento, emplacamento, seguro, manutenção, consumo, depreciação (média de 15%aa), etc, simplesmente deixassem de existir.

Mas, então, qual a melhor opção para quem quer ou precisa comprar um veículo?

Uma ótima opção para quem tem condições de pagar à vista ou dar uma entrada entre 30% e 50% do preço pedido é comprar um semi-novo.

A combinação desastrosa entre emoção e falta de planejamento levou milhares de pessoas inadimplentes a devolverem seus veículos antes que fossem apreendidos e/ou levados a leilão. Além disso, os pátios das lojas estão lotados, já que os incentivos dados aos veículos novos prejudicaram o setor de usados e semi-novos. Apesar das taxas de juros serem maiores neste mercado, a redução do valor do IPVA e a facilidade de negociação costumam fazer muita diferença.

Dicas finais para uma boa negociação:

  • compre veículos dentro do prazo de garantia do fabricante;
  • dê preferência para os modelos mais econômicos e que futuramente serão mais fáceis de vender;
  • inclua as despesas com IPVA, licenciamento e seguro complementar no preço final;
  • considere o consumo e a manutenção como itens decisivos na sua compra;
  • jamais comprometa mais de 30% da renda familiar com financiamentos;
  • se precisar financiar, pechinche! Compare o CET (custo efetivo total) e contrate o menor número possível de parcelas.

Importante:

  • Não pague nenhuma taxa para 'aprovar' o seu cadastro. As 'TCs' são consideradas venda-casada pelo CDC e, portanto, são ilegais.

Bons negócios!

 

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