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Previdência Imobiliária

Curitiba: Julho de 2010
Um edifício residencial com 22 andares (2 unidades por andar) é totalmente vendido na noite do lançamento.

- Será que é todo mundo que está podendo pagar em média R$650mil (preço à vista!) por um apartamento de 170,00m2 de área total e menos da metade de área privativa?

Curitiba: Agosto de 2010
Pré-lançamento de um condomínio residencial com terrenos medindo cerca de 250,00m2 de área total cada. Segundo o organizador do evento, o empreendimento era destinado às classes C e B. Apesar de ser um pré-lançamento, na maquete, 80% dos lotes estavam com a bandeirinha de "vendido".

- Tudo bem que o empreendimento era bonito e bem localizado (em se tratando de uma área urbana de grandes dimensões), mas vender numa única noite lotes de 250,00m2 por R$180mil e para a classe C?

Curitiba: Setembro de 2010
Empreendimento comercial de alto padrão estilo 'novo conceito' esgota no lançamento. Salas SEM GARAGEM, com área média de 40m2 por 'apenas' R$4,5mil /m2. Definitivamente tem algo de estranho no ar.

Demanda Reprimida

Não resta dúvida que estamos diante da recuperação de praticamente duas décadas perdidas para o mercado imobiliário nacional. Hoje, o acesso ao crédito e a estabilização econômica são uma realidade, deixando para trás um longo período de incertezas para construtores e compradores.

- Mas até que ponto? Até quando?

Comprar agora ou esperar?

Talvez essa seja uma das respostas mais imprevisíveis do momento, senão dos próximos 3 ou 4 anos.

Quem estava esperando para comprar um imóvel com medo dos preços continuarem subindo, provavelmente, já fez negócio. Dá a sensação que existe uma pressão do tipo “compre antes que acabe”, como se nunca mais fôssemos ter lançamentos imobiliários para todos os públicos e bolsos.

Existe ainda o grupo do 'dinheiro na mão', que é formado pelos que acreditam que o rendimento das aplicações – seja no curto ou no médio prazo – não conseguirá superar a 'eterna' tendência de alta dos imóveis e que, por isso, o negócio é sair comprando o quanto antes.

Tem ainda os desconfiados. Estes, na dúvida, apostam na diversificação, deixando parte do dinheiro aplicado e assumindo umas 'parcelinhas', só pra não dizer que ficaram totalmente de fora do mercado.

Finalmente, em número bem menor, existem aqueles que estão esperando os preços voltarem à normalidade para entrar no jogo, pois aprenderam com as experiências do passado e sabem a importância de equacionar o endividamento pessoal com o fator de liquidez.

Preço Fictício

Diante de tantas incertezas, uma coisa é certa:

- nunca a compra de um imóvel mereceu tanta cautela como agora, principalmente quando for para investimento.

Imagino que quem comprou um imóvel para moradia nos últimos 18 meses ainda deva estar em "lua-de-mel" com a casa nova e, por isso, nem pensa em vendê-la pelos próximos anos, independente de tendências mercadológicas. Acredito também que a dita demanda reprimida já está entrando numa fase de ajustes, aliás - muito bem vinda! - tendo em vista a grande quantidade de pessoas que, devido a ansiedade e/ou imediatismo, acabaram comprando o mínimo pelo máximo e, portanto, foram vítimas do chamado preço fictício.

Já os empreendimentos voltados para o público de baixa renda certamente continuarão com a demanda elevada por muitos anos, afinal, infelizmente, não será da noite para o dia que 80 milhões de brasileiros conseguirão um lugar digno para morar. 

Supervalorização Imobiliária x Previdência

Mas então, qual a relação entre Previdência e Supervalorização Imobiliária, temas deste artigo?

Aparentemente, pouca ou nenhuma. Entretanto, o fato é que a maioria das pessoas que contraem financiamentos de longo prazo para aquisição de bens de caráter passivo (como os imóveis para moradia), acaba negligenciando a formação de reservas, principalmente, as previdenciárias.

Sendo assim, deixo aqui duas dicas para quem eventualmente está passando pelo dilema do “compro agora ou espero”:

  • Jamais comprometa mais de 20% da sua renda com compromissos financeiros de longo prazo, mesmo que seja para adquirir imóveis; e
  • Limite o valor da parcela do imóvel à sua capacidade de investimento mensal em previdência (Ex: R$1.000,00 de financiamento = R$1.000,00 em Previdência).

Pesquise, pechinche, afinal, é o seu dinheiro que está em jogo.

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