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O que realmente precisamos saber sobre economia?

Você já parou para pensar sobre quanto tempo perdemos recebendo informações inúteis para nossa vida?

Esses dias, enquanto eu voltava do trabalho, tentei ouvir o boletim econômico de uma rádio de renome nacional. Fiquei impressionado com a falta de notícias, ou melhor: com a falta de notícias úteis aos ouvintes. Afinal, o aumento de impostos no Cazaquistão ou a mudança na diretoria de uma gigante dos cosméticos francesa são fatos realmente importantes para o nosso dia-a-dia? Pelo jeito, alguns querem fazer crer que sim.

Em seguida, começaram a falar em 'economês'. Aí foi terrível! Uns 10 minutos de taxas, índices econômicos mundiais, justificativas para a subida de umas ações e descida de outras, etc. Enfim, a meu ver, foi mais um apanhado de abobrinhas inúteis e que não contribuem em nada para que nós 'mortais' possamos melhorar a nossa vida financeira ou aprender a usar o nosso dinheiro de forma racional e planejada.

Então pensei:

  • Será que estes boletins são direcionados somente para os 'gurus' do investimento? 
  • Os investidores realmente querem saber disso?
  • Alguém se importa se o PIB americano subiu 0,00000001%?

Torço para que não. Custo a acreditar que um investidor perca seu tempo com essa sopa-de-letrinhas. Não consigo imaginar uma incorporadora deixando de construir um empreendimento comprovadamente rentável e cujo estudo de viabilidade levou anos sendo elaborado, apenas porque disseram na rádio que a Grécia pode 'quebrar', que a chuva tem prejudicado o turismo no Tibet ou ainda que o mercado financeiro anda de mau-humor. Ora: dá um remedinho pra ele!

Com todo respeito aos problemas econômicos mundiais, mas qual a importância deles para o cidadão comum?

Antes da internet imagino que era mais fácil ter qualidade jornalística, inclusive sobre questões globais e seus possíveis reflexos locais. Havia tempo para buscar informações, planejar pautas, checar fontes, pesquisar em livros e avaliar o conteúdo daquilo que - depois - seria publicado e estamparia as capas dos grandes jornais e revistas. Penso que esse “tempo extra” favorecia aquilo que tinha utilidade, já que nem tudo chegava a ser noticiado.

Acontece que as coisas mudaram. O tempo ficou escasso. Contudo, isso não significa que não precisamos ser seletivos em relação ao que ouvimos e, principalmente, acreditamos - ainda que muitos queiram o contrário, senão, bastaria que tocassem uma musiquinha bacana ou invés de ficarem nos enchendo de bobagens que - para a imensa maioria da população - não servem para nada.

Talvez, por isso, tantas pessoas tenham aversão aos assuntos relacionados a gestão financeira e, consequentemente, tenham tanta dificuldade para administrar o seu dinheiro.

Será que é tão difícil tratar de assuntos que realmente fazem sentido e que podem melhorar a vida financeira das pessoas?

Quem agüentou ler até aqui deve estar pensando:

- mas por que você não mudou de estação de rádio?

Juro que tentei! Receitas de panquecas, 3 exorcismos exaltados, depoimentos de casais apaixonados (no pior estilo brega!), discussões sobre futebol (- o fulano nem pode tomar uma cervejinha que já pegam no pé dele...), dicas de como ensinar o seu pombo correio a voltar pra casa, etc, são apenas alguns exemplos do show de horrores que enfrentei tentando encontrar algo útil no rádio às 18horas.

Mas como diz a sabedoria popular, sempre há uma "luz no fim do túnel".

Percebendo que minha busca por notícias úteis seria em vão, lembrei de abrir o porta-luvas do carro (aliás, bem que podiam mudar esse nome, afinal, ninguém mais usa luvas para dirigir) e - para minha felicidade - lá estava ele: o álbum ACHTUNG BABY do U2, um clássico dos anos 90.

Depois daquele terror de inúteis más notícias, finalmente, meu caminho foi 'iluminado' ao som da faixa 10:

ULTRAVIOLET - Baby, Baby, Baby light my way!

E acabou sendo um fantástico fim de tarde.

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