Idosos devem investir em renda variável?

A escolha de um investimento - assim como tantas outras decisões do nosso dia-a-dia - é uma questão de gosto e perfil.

 

Quando saímos para comprar roupas, por exemplo, escolhemos aquelas que nos caem bem ou com que mais nos identificamos, seja em estilo, preço ou funcionalidade. De modo geral, nossas roupas refletem a forma que gostamos de ser vistos pelos outros, e - por se tratar de uma questão de gosto pessoal - a escolha sempre estará sujeita a subjetividades, já que o que parece bom para uns pode parecer inadequado para outros; o mesmo vale quando pretendemos comprar um carro, um imóvel, mudar de casa, fazer uma viagem, escolher um restaurante, investir, etc.

 

Em relação aos nossos investimentos, devemos proceder da mesma forma, ou seja:

 

- buscar aquilo que nos trás retorno financeiro e satisfação sem nos causar angústias e “dores de cabeça” desnecessárias.

 

Entretanto, na hora de investir, há pessoas que ainda agem como se estivessem sob hipnose; muitas delas literalmente bloqueiam sua capacidade de escolha e análise, e por isso, acabam adquirindo produtos inadequados ao seu perfil ou a sua situação financeira e pior: achando que fizeram ótimos negócios. Esta displicência em relação à aplicação do dinheiro pode custar caro, pois ao contrário do que acontece quando nos arrependemos da compra de um bem de consumo ou durável qualquer, nem sempre é possível termos o nosso dinheiro de volta.

 

Infelizmente, esse comportamento é muito comum e não se restringe aos “investidores” iniciantes no mercado da renda variável. Há pessoas que compram ações ou investem em fundos de ações apenas porque ouviram dizer que é um bom negócio, ou simplesmente porque um “vizinho-amigo” diz que está fazendo isso e obtendo “excelentes lucros”, sem ao menos saber onde e em quê estão “apostando” o seu dinheiro. De fato - nestes casos – apostar é a palavra certa.

 

Do outro lado estão aqueles que passam a vida sem querer ter contato com os investimentos ditos "agressivos"; apegados a “segurança” da renda fixa e a “super-rentabilidade” da poupança, acreditam que investir em renda variável é somente para quem tem “nervos de aço” e que dispõe de algum dinheiro para perder, além de tempo para estudar e acompanhar o mercado diariamente.

 

Em parte isso é resultado de uma série de informações desencontradas e cheias de segundas intenções – muitas inclusive previstas em leis do passado - que originalmente tinham o objetivo de “informar” os possíveis investidores sobre os riscos envolvidos em aplicações desta natureza. Ora, ao tratá-las por investimentos de alto-risco esses educadores de plantão praticavam a velha e perversa estratégia de repetir uma mentira várias vezes até que ela se torne uma verdade, ou seja:

 

- Assustando a população sobre o “perigo” dos investimentos em renda variável, evitavam que milhares de pequenos poupadores tirassem suas economias da poupança - o que para os cofres de um país que sempre viveu às custas do elevadíssimo grau de endividamento de uma população acostumada a pagar juros abusivos – seria um péssimo negócio.

 

Temos que admitir:

 

- Isso sim é que é “educar” com eficiência.

 

O curioso e ao mesmo tempo irônico desta história é que quando nos aprofundamos no assunto, logo entendemos que “alto-risco”, na verdade, é estarmos vivos, senão vejamos:

 

- Cidades violentas, desemprego, saúde pública caótica, ensino público restritivo, trânsito alucinado, estradas abandonadas, leis trabalhistas e tributárias obsoletas e que inibem o empreendedorismo, previdência pública falida, etc. São tantos maus exemplos que “não é justo” que apenas investir em renda variável seja sinônimo de alto risco.

 

ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO

 

Um ponto fundamental em relação à seleção de uma aplicação - e ainda muito pouco conhecido do público geral - é o que em Finanças Pessoais chamamos de “ALOCAÇÃO ATIVA” da carteira de investimentos.

 

Quando formamos uma carteira de investimentos, preferencialmente, devemos selecionar produtos levando em consideração - no mínimo – os seguintes aspectos técnicos:

 

  • Liquidez: significa a facilidade de transformação de um Ativo em dinheiro vivo;

 

  • Retorno sobre o Ativo Real: a rentabilidade média do produto sobre o preço ou investimento nele próprio;

 

  • Grau de Exposição ao Risco Financeiro: a vulnerabilidade do investimento em relação ao meio externo (ambiente econômico);

 

  • Endividamento Pessoal: qual a capacidade de endividamento do investidor no ato da contratação/aplicação do dinheiro;

 

  • Cobertura: o prazo (em anos) que o investidor poderia viver apenas utilizando os demais recursos disponíveis em sua carteira de investimentos e

 

  • Capacidade de Poupança: o valor médio mensal de recapitalização sobre o Ativo Principal (não restrito ao saldo do fluxo de caixa mensal).

 

A partir desta análise – válida para qualquer pessoa que pretende investir independente de idade – é que será possível determinar se um determinado investimento é recomendável ou não.

 

IMPORTANTE:

 

Se para qualquer dos parâmetros acima o investimento pretendido apresentar Grau de Risco acima do tolerável (em índice e prazo) ou qualquer outra tendência negativa, a decisão de investir deve ser “abortada” e uma nova alternativa – com base nos mesmos parâmetros poderá ser avaliada.

 

EXEMPLOS PRÁTICOS:

 

Situação 01:

 

Um aposentado de 70 anos de idade e com apenas um dependente (no caso a esposa) deseja investir em ações. Sua situação financeira é a seguinte:

 

- Aposentadoria Mensal Média: R$3.500,00

- Renda Passiva: R$ 1.200,00

- Renda Portfólio: R$600,00

- Custo Fixo Mensal Médio: R$3.200,00 (inclui planos de saúde e seguros de vida)

- Ativo Real (Liquidez de ordem “1”): R$80.000,00 – dinheiro disponível em aplicações tradicionais como Poupança, Fundos de Renda Fixa, etc.

 - Ciclo Financeiro: a renda principal INDEPENDE da atividade econômica, sem Endividamento corrente de qualquer prazo.

 

Tomada de Decisão:

 

Alguém nestas condições poderia investir em renda variável sem nenhum problema. Contudo, o valor percentual das aplicações ainda dependeria da participação do investimento na Alocação Ativa existente. Neste caso, uma forma simples e segura seria investir através de um Clube de Investimentos ou até mesmo adquirindo cotas de fundos de ações, nunca em valores superiores ao rendimento apurado pelo Índice de Retorno sobre o Ativo Real, que neste caso é da ordem de 3,5%.

 

 

Situação 02:

 

Caso o aposentado da Situação 01 tivesse a seguinte situação financeira:

- Aposentadoria Mensal Média: R$1.500,00

- Uma dependente: esposa

- Renda Passiva: R$ 00,00

- Renda Portfólio: R$00,00

- Custo Fixo Mensal Médio: R$1.400,00 (não possui plano de saúde nem seguro de vida)

- Ativo Real (Liquidez de ordem “1”): R$12.000,00 – dinheiro aplicado em Poupança.

 - Ciclo Financeiro: a renda principal DEPENDE PARCIALMENTE da atividade econômica e apresenta Endividamento corrente de médio prazo (saldo da casa própria).

 

Tomada de Decisão:

 

Nestas circunstâncias, o investimento em renda variável NÃO seria recomendável. A existência de uma obrigação de médio prazo tornou o índice de Endividamento elevado, fato que é agravado pela inexistência de reservas relevantes e pela baixa capacidade de poupança.

 

CONCLUSÃO:

 

A decisão de investir ou não em renda variável não depende apenas do fator idade, e sim, de um conjunto de fatores diretamente relacionados a capacidade de gestão do investidor.

 

 

Caso você queira saber mais sobre este assunto, outros exemplos ou ainda como iniciar uma carteira de investimentos balanceada e adequada ao seu perfil, entre em contato conosco.

Gustavo de Carvalho Chaves
Consultor Financeiro
www.g9investimentos.com.br
contato@g9investimentos.com.br

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2 Comentários

Prezado

Sou militar aposentado e gostaria de saber se há um valor percentual recomendado para investir periodicamente em ações.

Sem mais,

Osvaldo R. Mesquita | 14/07/2010

Caro Sr. Osvaldo

Obrigado pela sua mensagem ao G9 Investimentos!

Não há um valor percentual que sirva para todas as pessoas, independente do produto de investimento.

A recomendação de qualquer estratégia de investimentos SEMPRE irá depender da análise prévia dos parâmetros e índices financeiros pessoais do aplicador, bem como, do estudo de perfil.

Qualquer dúvida estamos a sua disposição.

Att.
Gustavo de Carvalho Chaves

G9 Investimentos | 16/07/2010

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