Seguramente que a paixão de milhões de pessoas pelos esportes – independente da modalidade – é motivada pelo desafio de superar o adversário respeitando um conjunto de regras e condutas claras, éticas e universais, que tornam o objetivo ainda mais excitante.
São essas regras que possibilitam que povos que não falam a mesma língua possam se enfrentar e proporcionar grandes espetáculos.
Isto nos permite concluir que:
- as regras são imprescindíveis para o sucesso, credibilidade e transparência do jogo, o que dirá para as questões que afetam a nossa vida.
Futebol
Imagine que a final da Copa de 2014 será entre Brasil e Argentina. Aos 30 minutos do primeiro tempo a Seleção Canarinho está empatando com os Hermanos em 0 x 0, quando, de repente, o juiz resolve marcar um pênalti contra nós. Infelizmente, o atacante argentino converte a cobrança e o juiz decide encerrar a partida, restando, no mínimo, mais 60 minutos de jogo. Como se não bastasse, a FIFA acata a decisão do árbitro e informa ao mundo que ele apenas cumpriu uma “nova regra” do futebol criada durante a partida.
Pergunto:
- Como será que reagiríamos?
- O que pensariam os amantes do esporte sobre isso?
- Como ficaria a imagem da entidade que controla o futebol?
Se a derrota se desse em circunstâncias absurdas como as citadas em nosso exemplo, tenho certeza que dificilmente o trio de arbitragem, os dirigentes e os cartolas envolvidos no episódio conseguiriam sair ilesos do estádio e, tampouco, do país. Afinal, por aqui, futebol é coisa séria e desrespeitar as regras durante uma partida seria motivo para manifestações populares sem precedentes.
Observação:
Foi só um exemplo! O Brasil jamais perderia da Argentina numa final de Copa do Mundo, principalmente, se ela fosse aqui. Ao menos é o que se espera.
ALTERAÇÕES NAS REGRAS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
O Ministério da Fazenda e a Previdência Social estão pretendendo mudar as regras da aposentadoria do setor privado.
É claro que, caso aprovadas, as medidas em estudo terão reflexos negativos no bolso dos contribuintes, como se já não bastassem todas as dificuldades enfrentadas por quem pretende desfrutar da aposentadoria com relativa dignidade neste belo, porém, imaturo - país emergente.
No entendimento dos técnicos do governo, o modelo “ideal” seria assim:
Homens: a aposentadoria passaria dos atuais 35, para 42 anos de contribuição;
Mulheres: a aposentadoria passaria dos 30, para os 37 anos de contribuição.
Para eles, essa "pequena" mudança de regra durante o jogo é algo muito natural e tem fundamento uma vez que não há idade mínima para aposentadoria. Resta saber se para alguém que está prestes a se aposentar depois de ter contribuído por quase 30 ou 35 anos, esperar “apenas” mais sete não fará nenhuma diferença.
Obviamente que, do ponto de vista político, esta proposta deverá enfrentar muita resistência. Afinal, qual governante gostaria de ter esse “grande feito” em seu portfólio de realizações públicas?
Para a Previdência, esta medida seria uma forma de compensação do fator previdenciário, que nada mais era do que um incentivo para que o contribuinte retardasse a sua aposentadoria. Fora isso, há também a intenção de incluir o critério de idade mínima, já que o modelo atual, se baseia, principalmente, no tempo de contribuição.
Neste novo formato, os benefícios seriam concedidos para mulheres a partir dos 63 anos de idade e após os 65 para os homens.
- Já pensou?
Agora só falta o Brasil pegar a Argentina na Final da Copa...
CONCLUSÃO
A maioria dos brasileiros tem motivos de sobra para se sentir insegura em relação ao futuro da Previdência Social. O medo de, subitamente, não poder contar com aquilo para o que se contribuiu durante toda vida é, de fato, aterrorizador e justificado. Daí a importância de sermos cada vez mais previdentes e buscarmos constantemente alternativas que nos tornem independentes de sistemas frágeis, cujas regras – rotineiramente – mudam durante o jogo.
Gustavo de Carvalho Chaves
Consultor Financeiro
www.g9investimentos.com.br
contato@g9investimentos.com.br
Lamentável que a nossa Previdência esteja sempre buscando uma forma de tapar buracos as custas de quem sempre cumpriu com as suas obrigações. Ruim com ela, pior sem ela. Pergunto: o que fazer? recorrer aos pgbl e vgbl da vida? contribuir pelo mínimo?
Boa noite, gostaria de saber qual a opção de Previdência mais indicada para o meu caso, tenho 42 anos, sou autônoma e possuo dois dependentes.
Grata,
Meu Caro Gustavo, boas tarde! Além do absurdo citado no seu artigo devemos ficar atentos para mais uma manobra infame do pessoal da Previdência, pois eles estão querendo acabar com a aposentadoria vitalícia em caso de morte. O próprio ministro já deixou claro a existência de trabalhos nesta linha. Nesse país a insegurança é total! Onde vamos parar? Cada vez mais nossos direitos são tirados e a população alienada só quer saber de samba, futebol e olimpíadas, etc. Socorro!
Boa tarde Sr. Gustavo. Tenho duas previdências privadas há mais de 8 anos, mas fiquei um tempo sem pagar devido a problemas financeiros, cerca de um ano e meio. Gostaria de saber se na sua opinião é vantajoso manter as duas ou se existe alguma outra opção. Ficarei muito agradecida se puder me orientar. Maristela
Prezada Maristela, boa noite!
Agradeço pela sua participação no site da G9.
Em princípio, manter duas previdências privadas me parece uma opção financeiramente 'pouco atraente', considerando a duplicidade das taxas de administração e carregamento. Além disso, vale lembrar que conforme o montante, algumas instituições reduzem o percentual cobrado pela gestão da Previdência, o que justificaria verificar a possibilidade de unificar as duas contas e, com isso, maximizar seus ganhos. Note que em se tratando de investimentos cumulativos de longo prazo, todo e qualquer ganho percentual terá resultados expressivos e certamente fará diferença no momento da aposentaria.
Além da Previdência Privada e da Pública, minha sugestão é que invista em planejamento financeiro e que procure diversificar seus investimentos (Ex: imóveis, fundos, tesouro, LCIs, LCAs, participações, etc), pois - como dissemos em nosso artigo, a queda dos juros exigirá mais dedicação por parte do investidor interessado em preservar a rentabilidade das suas aplicações.
Qualquer dúvida estamos à sua disposição.
Um abraço
Gustavo de Carvalho Chaves
Consultor
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